Vamos falar da tristeza

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Por Roberta Perdomo

Hoje estou triste. Soube de uma notícia ruim que mexeu comigo. Ao suspirar perto do meu filho ele me disse: “O que foi mamãe?” “Estou triste.” Respondi. “Mas por que você está triste? Olha o sol lindo lá fora.” Então eu contei a ele porque estava triste e depois mudamos de assunto.

No primeiro momento eu me senti profundamente acolhida, por ele ter percebido e se importado comigo. Logo pensei: “Poxa, estou fazendo um bom trabalho. Meu filho é capaz de perceber quando eu não estou bem e demonstra compaixão.”

Em seguida me perguntei por que sempre tentamos afastar a tristeza. Nos referimos a ela como um sentimento negativo. “Não fique triste”. “Vai passar.” É o que dizemos e escutamos. Mas a tristeza é tão importante quanto a alegria.

A tristeza de hoje me mostrou o quanto somos frágeis. Me mostrou que não estou agradecendo o suficiente. Me mostrou o valor de uma grande amizade. Me mostrou aquilo tudo que mais me importa. Esse é o poder da tristeza.

Hoje eu acolho a tristeza, bem aqui, no fundo do meu coração. Para que essa tristeza se torne depois um profundo sentimento de gratidão a tudo aquilo que eu ainda não perdi.

Tudo deu certo. E agora?

Foto Blog Tudo deu certo

Por Roberta Perdomo

Na onda das reflexões de final de ano, andei por aqui repassando meu ano de 2017. A conclusão que eu cheguei é que tudo deu certo. E agora?

Estamos em geral acostumados com o que não dá certo. A se lamentar, a chorar pelo leite derramado e projetar novas resoluções para o ano seguinte. Mas e quando absolutamente tudo dá certo? Eu não sei. Estou até meio perdida porque percebi que não costumo celebrar as pequenas conquistas. Parece que conseguir as coisas é trivial. Principalmente as pequenas coisas.

E 2017 foi cheio de pequenas conquistas. Projetos profissionais que se realizaram e metas pessoas (até aquelas que dependem de uma boa dose de sorte) foram alcançadas. Quando olho para traz, me dá uma sensação de “ufa” que bom. Bastante dedicação, energia e um “tapa” do universo. Tudo funcionou, tudo se encaixou e tudo está pronto para o que vem. Parece até uma daquelas novelas que tem muito drama no meio do caminho, mas no final, magicamente as coisas acontecem.

Acho que só me resta celebrar. Me resta comemorar de verdade. Me resta abraçar aqueles que fizeram parte disso e dizer “muito obrigada”. E redobrar a energia para 2018. Que com certeza vem cheio de novos desafios, mas de outras novas conquistas também. Afinal, a vida fica muito sem graça sem cosias novas a buscar.

Que venha 2018!

Quando deixamos um legado

EMEI DONA DUCA Blog

Por Roberta Perdomo. 

Sexta-feira passada foi inaugurada em Butiá no Rio Grande do Sul a Escola Municipal de Educação Infantil Dona Duca. Esse é o nome da minha querida avó. Foi uma bela homenagem da prefeitura.

Além de ter ficado emocionada e orgulhosa, refleti muito sobre “deixar um legado”. Afinal o que isso representa para mim?

A vó Duca nunca teve dinheiro. Nunca empreendeu ou investiu em um grande negócio. Não fundou uma ONG. Não escreveu um livro. Ao contrário, seguiu um caminho “comum” para muitos de nós. Foi professora. E trilhou esse caminho com tamanha dedicação e amor que marcou muita gente nessa pequena cidade. Tanto que mesmo não estando mais entre nós, teve seu nome escolhido para a nova escola.

Mais uma vez eu aqui, aprendendo com ela. Eu, que me sempre me perguntei como poderia deixar um legado para o mundo. E até então, relacionando um legado com algo grandioso, que torne minha passagem por aqui inesquecível. A partir desse momento, “deixar um legado” mudou de significado. Agora percebo que esse “algo grandioso” pode estar nas coisas mais simples da vida. Significa dar o meu melhor todos os dias. Passo a passo, com dedicação, cuidado e amor.

Celebrando a vida

blog celebrando a vida

Por Roberta Perdomo.

Domingo a Julia completou um ano de vida. Esses últimos doze meses ao seu lado foram intensos. Intensos de amor e alegria. Alegria ao vê-la crescer e aprender e alegria ao ver a linda relação dela com o Francisco. Um amor que não cabe dentro de mim.

Como já é tradição, fizemos uma festinha no sábado. Para mim, significa mais que uma simples festa. É um ritual de passagem. Principalmente para mim como mãe. Uma oportunidade única de reencontrar a sensação do dia no nascimento. De reencontrar aqueles olhos brilhantes pela primeira vez. Um momento para sentir de novo cada suor e cada sorriso dos últimos doze meses. Porque mesmo sendo o segundo filho, nasci de novo como mãe. Dessa vez como mãe de dois.

Tudo isso já é motivo suficiente para celebrar. Mas mais do que tudo, a vida é o principal motivo para celebrar. A nossa vida, a vida dela e a vida do irmão. E a vida nos trouxe o reencontro, a alegria e a gratidão.

Por isso, celebramos. E vamos celebrar sempre. A cada passagem, a cada vitória, a cada reencontro.

Para que me serve o orgulho

Imagem Grátis de Conquista - Homem no Topo da Montanha

Por Roberta Perdomo.

Semana passada eu recebi uma bela noticia: fui aprovada no mestrado da UDESC. Foi só alegria. Afinal, eu tinha essa vontade há muitos anos. Deixei essa vontade guardada no baú dos desejos. Na lista das coisas que um dia quero fazer. Aquela lista que todos nós temos, não é mesmo?

Pois em geral essa lista fica eternamente no lugar de lista. E eu então decidi há dois anos fazer desse desejo uma realidade. Estudei, fiz a primeira prova ainda em São Paulo. Até curso online eu fiz para lembrar como se faz contas e como se pensa de forma lógica. Uma chatice eu confesso. Mas nem sempre essas escolhas são fáceis. Aliás, são esses desafios que tornam a conquista tão especial. Especial a ponto de despertar orgulho. Orgulho de mim.

Há quem diga que orgulho é ruim. Que nos torna arrogantes. Pois para mim o orgulho traz o olhar para nós mesmos, para honrarmos cada passado dado, cada suor e cada lágrima. Para nos conectarmos com nosso valor. Com o melhor que temos dentro de nós. Momentos de orgulho valem a pena. Porque simplesmente é muito bom dizer parabéns a mim!

Sobre ser mãe

blog sobre o que ser mãe

Por Roberta Perdomo

Essa semana já começou com o bombardeio de mensagens, fotos, vídeos e músicas sobre a maternidade. Tem gente que diz que dia das mães é todos os dias, que essa celebração toda é bobagem. Que inventaram isso tudo para vender, afinal todo mundo tem mãe para comprar um presentinho.

Pode até ser. Mas precisamos dessa data para nos reconectarmos com o que significa ser mãe.

Para mim ser mãe é amor. Só entendi o que é amor quando vi meu filho pela primeira vez fora do ventre. E reaprendi quando vi minha filha pela primeira vez.

Ser mãe é doação. É abdicar de muitas coisas pelos filhos. É tornar-se menos egoísta e muito menos autocentrada. Afinal agora tem dois seres que são mais importantes que eu mesma.

Ser mãe é desapego. É soltar, deixar para lá. Entender que tudo passa.

Ser mãe é cura. É curar minhas próprias neuras sempre que curo aquele machucado com um simples beijo. Afinal beijo de mãe é milagroso.

Ser mãe é diversão. É rir de coisas simples, que antes não tinham a menor graça. É a minha grande chance de voltar a ser criança todos os dias.

Ser mãe é luz. Porque ao ser mãe, vejo minhas sombras todos os dias. E a partir delas minha luz se torna cada vez mais forte.

E mais que tudo, ser mãe é presença. É estar aqui agora. Curtindo cada momento, pois eu sei que eles vão crescer e vão voar. Mas hoje eles estão bem pertinho. E é aqui que quero ficar.

 

 

Quando tudo parece perfeito

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Por Roberta Perdomo

Sabe quando estamos em um momento perfeito? Ontem tive um desses momentos. Saí para passear com meus filhos, com minha tia e com uma grande amiga.  Sentamos na beira da Lagoa, ao sol, e ali ficamos. Uma delícia.

E o que fez desse momento tão perfeito? Não foi o sol nem a Lagoa. Foi a minha escolha. Escolhi simplesmente estar. Escolhi desfrutar. Mesmo com mau humor do meu filho no início do passeio, não perdi meu estado de presença. Ao contrário. Brinquei com ele até o mau humor passar.

Desfrutei da boa companhia, do sol, dos chamegos e da conversa. Com a mente, o corpo e a alma presentes. Me senti totalmente mergulhada na leveza do momento.

Me pergunto agora, porque esses momentos não se tornam mais frequentes? Porque sempre tenho coisas a fazer, problemas a resolver e papéis a cumprir. E se isso tudo não fosse necessário? Aliás, será que isso tudo é necessário? O quanto tudo isso está dentro de mim?

Pois hoje eu escolho ter mais e mais momentos perfeitos. Porque todos os momentos podem ser perfeitos. Só depende de mim.